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QUEM EDUCOU SEU FILHO?


Refletindo sobre a quantidade de coisas erradas que fiz ao longo de minha vida e vendo que não fui o único, iniciei o processo de análise sobre o protótipo adotado por mim e pelos pais que conheço, na difícil tarefa de criação dos filhos nos dias atuais. 
Não se pode negar que o desafio foi e continua sendo gigantesco, bem diferente da educação existente na época de nossos pais ou avós, quando a vida era mais previsível, e as mudanças ocorriam de forma mais lenta. 
Por essa razão resolvi elencar três considerações que julgo pertinentes, e cuja intenção é meramente auxiliar meu fiel leitor a pensar com intencionalidade sobre seu modelo mental, e como aplica-lo na gestão do processo "educacao". Kkkkk (sim...isso é um sorriso sarcástico de quem sabe a sacanagem que irá fazer).

Miopia de Referências - vivemos míopes e nos comportamos como tal ao negar enxergar que nossas experiências aconteceram num determinado momento único de tempo e espaço.
Iludimo-nos em crer que podemos obter com nossos filhos o mesmo resultado repetindo a ação de nossos pais. Não podemos - o contexto mudou. Tentar criar os filhos como fomos criados dará origem a uma aberração. O pequeno humano será alvo de bullyng na escola e certamente crescerá como pária, deslocado socialmente, e se duvidar ouvirá Roberto Carlos  chorando isolado  no quarto. 

Ruptura de Valores - e nem adianta espernear. A maioria de nossos valores foram importantes para nossa época. A moral é flexível adaptando-se no tempo e no espaço. Tentar impor a prole o que nos foi caro nos dias atuais custará desajustes incontornáveis. Não perca o foco na ética, mas esqueça a moral. Não queira se vingar por ter nascido em um período que não podia levar a(o) namorada(o) para dormir em casa. 

Autonomia - A velocidade das mudanças e a revolução da tecnologica demanda a autonomia que não tivemos. Fomos criados olhando para trás. Somos a geração exemplo.  Essa geração olha para frente. A próxima olhará para o alto e avante. Sem autonomia não existe criatividade. Sem autonomia o elemento (isso mesmo - o não humano) definha e morre em vida. Pensar que está protegendo a criança ao dar direção, orientar ou conduzir tarefas alija a autonomia, e esse será seu maior pecado. 

Forneça liberdade, autonomia e exija resultados. É bom o(a) pequeno(a) acostumar-se com a ideia que será avaliado e recompensado pelas entregas que fizer, seja na escola, aos empregadores ao mercado ou a sociedade. 
Então leitor amigo - tudo que estiver fazendo reproduzindo sua experiência  vai dar "merda" no sentido da licença poética que a palavra carrega.

Para finalizar, gostaria de contar uma pequena história que se passou comigo em 1985.
Fui resolver um problema na cidade de Salto e convidei o Dr. Pico, que é advogado e  amigo para me fazer companhia e não viajar sozinho. Resolvemos almoçar na cidade de Itu em um excelente restaurante que já frequentara, e era especializado em " bisteca acebolada". Como era meu prato preferido, não titubeei e lhe informei:
- Vou te levar para comer a melhor bisteca do interior de SP, igualando- se ao restaurante Sujinho na capital.
Assim que o garçom apareceu pedi duas cervejas litrão - sim, naquela época podia dirigir depois de beber - e ordenei duas bistecas à moda da casa.
Não demorou muito e chegaram as bistecas maravilhosas cobertas com meio quilo de cebolas douradas e perfumadas. 
Fiquei feliz em poder proporcionar essa experiência gastronômica ao meu bom amigo e companheiro de viagem. Era uma forma de retribuir sua generosidade de largar seus compromissos para não me deixar viajar sozinho.
Passado meses da viagem encontrei com Sandra, mulher do Pico que olhou para mim sorrindo e já foi disparando:
- ZÉ o que você fez com o Pico? Nao parava de rir como quem fora finalmente vingada.
- Para colocar cebola no arroz eu tenho de picá-la bem miudinha, pois se ele descobre briga comigo, e você o obrigou a comer meio quilo de cebola em Itu. 
Rimos muito e aprendi a lição. Não é por que gostamos de algo ou achamos que foi bom, que será bom para o outro. Não importa nesse caso, se é o Dr. Pico ou quem você esteja educando. 
Avante!!! 

Comentários

  1. Bem por ai, mas tem gente que não sabe...

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  2. Kkkkk Boa lembrança; lembrei do Garçom. Batata kkk
    Numa vi tanta cebola num pedaço de bisteca kkkk

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  3. Muito bom seu texto. Ótima reflexão. 👏👏👏

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  4. Zé, mais um conto/crônica muito delicioso de se ler, inclusive nos faz refletir bem na educação que demos aos nossos filhos! Meus parabéns!

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  5. José como sempre fico refletindo suas histórias ( posso colocar com h ) quanta verdade!!!!

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