O
termo nhenhenhém, usado pelo ex-presidente FHC para rezingar da
oposição no congresso veio do verbo falar em tupi, que
é nhe’eng.
No
Brasil do século
XVI, os portugueses, espantados com o falatório interminável dos
índios brasileiros, usaram três vezes a palavra “falar”
em tupi e criaram nhenhenhém, que
literalmente significa falar demais, palavra que difere um pouco do
termo mimimi, apesar de algumas similitudes.
Mimimi
é uma expressão usada na comunicação informal para descrever ou
imitar uma pessoa que reclama por qualquer coisa. Esta expressão é
uma onomatopeia, reprodução de sons que imitam um choro, ladainha
ou lamúria, o que muito bem caracteriza a comunicação dessa
geração nascida após os anos 2000, e que se ofende por qualquer
palavra um pouco mais áspera no
trato das questões cotidianas.
Sou
de
uma geração tosca, direta e objetiva, cuja preocupação é obter
efetividade na conversa, promovendo o“feedback”
e assim obter uma ação cooperativa sem meias palavras, aliás esse deve ser o objetivo da comunicação.
Acredito
que as coisas eram mais doloridas, mas funcionavam bem, desse jeito.
Lembrei-me
de uma história ocorrida em 1991, época de turbulência política,
quando Collor foi eleito com a finalidade de modernizar nosso país,
afinal, na sua percepção nem automóvel o Brasil sabia produzir, e
os brasileiros estavam acostumados a andar de "carroça".
Nesta
época trabalhava em uma empresa pública, portanto sujeita a
“modernização”, e para conduzir tal processo, Elle nomeou um
demônio saído do extinto Banco Econômico para ser nosso
presidente. O sujeito era o capiroto em pessoa, além de grosso e
indelicado.
Nossa
empresa era estruturada em superintendências regionais, e eram 600
agências vinculadas à
Campinas, comandada por Bodinho, afilhado do presidente.
A
primeira reunião com a
nova
gestão aconteceu na cidade de Atibaia, no hotel Bourbon, e desde o
primeiro minuto foram cobranças e reclamações, como se todos os
problemas da empresa fossem originados pelos gerentes ali presentes.
Era
recém-nomeado
e participava de minha primeira reunião como gerente-geral.
Estava estarrecido com o nível das palavras usadas, e pelo tom da
conversa, tinha a percepção que até de vagabundo estávamos sendo
chamados.
Lá
pelas tantas, o Capiroto em pessoa começou a se exaltar. Disse que
éramos omissos, negligentes, que não dávamos atenção as
diretrizes do “Board”, e que a diretoria tinha criado um novo
veículo
de comunicação para se aproximar dos gerentes, mas tinha certeza
que ninguém havia lido. Pegou a lista de presença que estava na
mesa e falou:
-
Vou provar para vocês! Correu o dedo na lista com 600 nomes e parou
perguntando: - Quem é o José Antônio,
gerente
da agência Tremembé? - Gelei!!!
-
Qual o nome de
nosso novo jornal?
Pqp,
se fosse sorteio de um carro, ou de uma viagem não teria sido eu o
sorteado,
e o pior é
que não
sabia responder, pois realmente não tinha visto
o maldito jornal.
Levantei-me
para que o coisa ruim pudesse me ver,
e escutei algum colega atrás
soprar
alguma coisa, tentando me ajudar, mas não entendi.
Acuado,
com seu
olhar inquisitório arrisquei:
Informativo Azul.
-
Teu cu. (Contexto metalinguístico)
- Estou dizendo que vocês não sabem nada, aí está a
prova...
Não sei se realmente ele chegou dizer a primeira frase, ou se foi
fruto de minha imaginação, uma vez que estava fora do corpo,
vendo os 600 colegas olhando-me em pânico,
enquanto uma luz branca puxava-me
para
algum lugar desconhecido.
Fico Imaginando essa geração que os
pais vão tirar satisfação com os professores, quando seus filhos tiram notas
ruins nas provas, enfrentar a realidade no mundo corporativo.
Vai
ser mimimi ou nhenhenhém?

Pqp Zé...o sortudooo....sqn...kkkk
ResponderExcluirRi muito aqui do outro lado...kkkk
Pior que foi verdade
ExcluirNo mundo corporativo tem muito imbecil municiado de poder. Quem está subordinado a eles está sujeito às pressões de sua incapacidade de gerir.
ResponderExcluir90% das vezes
ExcluirNa hipótese de uma situação dessa acontecer nos dias de hoje, seria Mimimi dos filhinhos e nhenhenhém dos papais...
ResponderExcluirBoa. Kkkkkk
ExcluirNa hipótese de uma situação dessa acontecer nos dias de hoje, seria Mimimi dos filhinhos e nhenhenhém dos papais...
ResponderExcluirSeus haykay estão ficando cada vez mais shot , mas continuam funny.
ResponderExcluirHahahahahah chorei!!!
ResponderExcluirZé, vc escreve muito bem!! Bem descrito, bom humor, que legal!
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